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Auteur Sujet: Um tempo tampouco verdadeiro  (Lu 1672 fois)

Hors ligne Xaba

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Um tempo tampouco verdadeiro
« le: 10 avril 2019 à 09:33:55 »
Vamos então supor que você não é real...

Vamos brincando com essa ideia. 

Pretendo assim argumentar sobre o curso dos eventos, dos  acontecimentos do tempo. Não é coisa fácil, sei disso, pois o tempo tem pernas e intenções próprias. Basta enxergar nele a intransigência com a qual  castiga quem perde a memoria dos fatos . O tempo  possui uma realidade infinita que de longe ultrapassa nosso temor discursivo. Não controlamos nada nele. Antepasse e sobrevive a qualquer um de nos. Assemelha-se a um menino teimoso que não conseguimos controlar quando caindo  numa crise de fúria, no corredor de um shopping, negamos a ele certa casquinha de creme gelada, um pouco antes da hora anunciada do almoçar. Reclama ele, exige, bate o pé, grita sem parar, chegando a beirar tal  um animal levado para matança. Vira roxo, espuma ele, rasga a roupa e deita no chão, chamando a atenção de quem cruza nosso caminho e não consegue imaginar tanto tamanho e desperdício de sensibilidade nossa. Passamos  vergonha diante do escândalo. Fazer o que ! Aguentar até o fim ! Beber do cálice até o fim ! Pois o menino do tempo pentelha até conseguir o que decretou. Até que ponto alias sempre consegue !  Em certo momento, precisamos  transigir por medo do irracional, do olhar dos outros, da nossa própria falta de visão, sei lá… Cedemos, talvez sem dar êxito diante da pressão do pivete, sempre saindo do lugar, indo para outro canto, cancelando toda a programação do dia. Fazemos de conta que ir embora e fugir do instante pode solucionar algo. Uma vez com outra coisa na mente, o menino do tempo parece então voltar ao seu devido lugar. Nasceu um dia, cresce e seguirá seu caminho. De vez em quando voltará a nos aperrear.  Daqui a alguns anos somos nós que nos tornaremos para ele outro poço sem fundo de preocupações. O remédio apenas era placebo, o excipiente uma mistura de varias inúmeras horas…

Decretei que  tampouco existiram bailarinas, dança-do-ventre, camelos, sheik árabes, sonhos de verão ou viagens em Paris, carneiros poetas nem molhos de pimenta nos mais badalados restaurantes tradicionais de Salvador da Bahia. De repente, o céu e os campos florados esvaziaram-se de qualquer espécie de borboletas. As florestas determinaram que a classe inteira das lepidópteras  foi  extinta. Todo o equilíbrio da fauna e da flora do Brasil desmoronou.  O Mundo precisou reavaliar seu cardápio, sua inteira cadeia alimentar. Sumiram acarajé, vatapá, caruru e bobó de camarão. As raízes Iorubas apagaram essas receitas e até proibiram o uso do dendê, interditando as cozinhas do  Iemanjá, agora apena fritando ovos de Galinha da Angola  ou jogando pedras nos antepostos do Jardim Armação!  Todos e tudo ficaram mudos, a sabedoria foi engolida a seca, sem sequer óleo da vida:  “Ilu bu mmanu ndi Igbo ji eri okwu” !

Sumiram por fim os escritores desconhecidos.   Compuseram em perolas de choros, sem qualquer tempero senão do sabor salgado das suas lágrimas. Sofreram a pressão do acaso com o qual tudo fui e já se foi, tão rápido, desorientados, até perder essa firme vontade de viver quando as palavras nas quais até então  procuraram extrair rastros de beleza e fantasia do cotidiano apareceram de repente sem relevo nem magia. Também tornaram-se surdos esses artistas do Céu e do Sol, cegos e idiotas de tanto procurar respostas sem perguntas.

A Lavagem foi geral ! Embora nem necessitasse qualquer procissão da Conceição ao Bomfim. Foi na câmara preta de uma vida sem saída.   Essa declarativa sem replica foi revelada e fixada no banco dianteiro de uma Sedan automática, acho da Citroën. Alias, talvez foi a decisão mais primitiva  nossa, o tributo da nossa amígdala tirânica,  que odeia o desconhecido e sim procura o conforto das suas certezas.  Foi uma decisão racional e simultaneamente  emotiva. Fomos atrás da nossa casquinha de chocolate! Mas quem ficou com toda a cobertura não fui eu.

Falei todavia apenas de supor as coisas pois devo confessar o tempo não me parecer  tão definitivamente obvio !

Posso fazer o papel de quem é forte e razoável. Fingir  que é possível viver sem você, sem sua presença. Tudo é possível. Sou excelente ator e poderia até rastejar na tua sombra, na tua indiferença, do teu lado e mesmo assim jurar nunca ter visto ou conhecido você. Anos já nos separaram. Hoje um rio ainda flutua entre nos. E sim por ventura fosse ressecando antes dos nossos corações!

Pois o amor não é racional. É uma mistura de felicidade e de dor, de vazio e de plenitude, de certeza absoluta e de duvidas, de verdade e de mentiras, de segurança e de fragilidades.  É mais que tudo um abismo sem fim quando não há mais noticias de nada e ninguém. Quando do ser amado de que se sabia ou se adivinha tudo de repente não sobra mais nada…

De fato, estou caindo nesse abismo pois preciso de você mas não tenho mais sua mão para me segurar.

A minha ainda aponta na tua direção…

Xaba

“ Os provérbios são o óleo com o qual se comem as palavras” Sabedoria Ioruba
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