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Le Monde de L'Écriture » Encore plus loin dans l'écriture ! » Textes non francophones (Modérateur: Miromensil) » Bahia de todos os demonios

Auteur Sujet: Bahia de todos os demonios  (Lu 1897 fois)

Hors ligne Xaba

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Bahia de todos os demonios
« le: 07 avril 2019 à 22:25:01 »
Quanto sinistra pode se tornar uma cidade!

Quanta crueldade na ausência do tempo!

No inicio de tudo, o tempo não existe. Quero dizer que ainda não deu matéria a lembrança nem saudade. O tempo apenas conta para quem se lembra de alguma coisa. Nesse inicio o tempo não é experimentado. Ele não conta nada e também não tem valor. Talvez, nunca foi. Isso é fato óbvio para quem não tem memoria. O tempo, todavia, tem vida verdadeiramente própria que ninguém poderá jamais controlar…

O tempo em certo momento se movimenta, produto de efervescência própria. Indivíduos, sangues, origens mistos se juntam. Vivem no mesmo lugar. Caminhos se cruzam, trânsitos aumentam, milhares de condomínios são erguidos e novas aquisições são organizadas nas ultimas tendências do design interior ou de qualquer imperativos do “Chic” parisiense. Essa agitação também gera poeira, fumaça, desordem e desencontros. Acessoriamente dessa exata confusão nascem paz e harmonia, encontros em quartos remotos, amores e paixões inexplicáveis… Do imediato e da agitação parece surgir certa matéria a discussão, aos sentimentos, eventualmente as peinas e aos arrependimentos quando o desejo, tal como o tempo, tem a sua lógica própria.

Tudo acontece na cidade. Essa agitação é a essência mesma da vida. Lá, tudo aparece e se esconde. Lá é acima de tudo possível, até que fim, de viver!
Mas todo isso em certos momentos não passa de uma triste desilusão. A cidade então desaparece após o tempo parecer voltar a seu paradeiro inicial. Aconteceu algo que fez tudo explodir , passar no segundo plano, esmagar-se num piscar de olho, voar antes do tempo existir, como se nunca tivesse existido, quando, dizem certos, seria possível fechar os olhos para fazer de conta que o que foi não é mais e nunca mais será. Morrem aves, carros, carneiros e borboletas.

Morre a vida engolida pela solidão, a única a sobreviver quando todos na cidade já faleceram.


Salvador da Bahia
2015
« Modifié: 07 avril 2019 à 23:10:52 par Xaba »

Hors ligne Manu

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Re : Bahia de todos os demonios
« Réponse #1 le: 08 avril 2019 à 01:25:39 »
Bonjour Xaba,

Un texte bien sombre contrastant fortement avec l'image d'Epinal de Bahia. J'aime bien l'idée initial, le début du temps.

O tempo apenas conta para quem se lembra de alguma coisa. Bien sombre en effet, le narrateur  en oublie le futur, source d'espoir et inexistant sans le temps.

Et puis il y a vie. L'agitation, ici bien décrite et si peu profonde, encore peut-être un peu plus au Brésil qu'ailleurs, que la solitude est encore plus fortement ressenti.

Content d'avoir relu un texte en portugais.

Hors ligne Xaba

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Re : Bahia de todos os demonios
« Réponse #2 le: 08 avril 2019 à 10:35:48 »
Bonjour
Sans doute me faudra t'il encore 20 autres années pour dominer le portugais écrit... Voila une de mes rares tentatives... Qui vivra verra se Deus quitter...
Merci pour le retour

 


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